PÁSSARO SELVAGEM Por P. H. Amancio. A... P. H. Amancio.

PÁSSARO SELVAGEM
Por P. H. Amancio.




A quem eu pertenço? Para onde vou eu,
se quem eu escolhi jamais me escolheu?
Por onde caminho, o que me faz ser eu,
se tudo o que desejo só encontro nos braços de Morfeu?


Tira-me das amarras, deixa-me voar,
pássaro selvagem, só o vento sabe onde está.
Veja-me sem medo, com vontade de errar;
se um dia me quiser, precisará me alcançar.


Numa queda livre, encontro-me perdido,
as asas que eu tenho já nem fazem sentido.
Salto pelos muros, digo ao mundo: “Aí vou eu!”,
correndo atrás daquilo que um dia deveria ser meu.


Engano-me sempre naquele canto ao deitar,
inventando histórias de amor que minha história não terá.
Vento, ventania, na janela vem lembrar:
quem é natural não precisa se encontrar.


Talvez eu não pertença a lugar algum,
talvez meu destino seja não pertencer.
Talvez amar seja correr sem saber de onde,
e ser livre seja nunca precisar se prender.


E se um dia alguém me encontrar pelo caminho,
que não tente me mudar, nem me ensine a ficar.
Que apenas caminhe comigo por algum tempo,
porque pássaro selvagem não nasceu para pousar.