De repente… Algumas coisas só fazem... Bruna Monteiro

De repente…


Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.


De repente, as roupas que ocupavam dois espaços passam a ocupar um só.


A casa fica mais florida e uma rotina de regar flores começa sem que eu perceba.


As memórias reveladas encontram espaço sobre o rack e uma casa que nunca teve sofá ganha um de dois lugares.


De repente, na cama existe um lugar. O silêncio pertence a dois, o tempero da comida já não é mais o mesmo e o café ganha um sabor que nenhum outro parece ter.


De repente, eu já não preciso olhar pelo retrovisor para saber se vem outro carro.


E, quando menos percebo, entendo que nunca estive falando sobre coisas.


De repente, você chegou.


E ocupou espaços que eu nem sabia que ainda estavam vazios.


Trouxe vida para a casa e, sem perceber, trouxe vida para mim também.


Me ensinou que algumas coisas precisam ser regadas para continuarem vivas. Que dividir espaço não significa ter menos lugar. Que algumas presenças mudam até o silêncio. E que ser cuidada, às vezes, é simplesmente poder continuar olhando para frente porque existe alguém ao meu lado olhando por mim.


De repente, eu não quero mais outro olhar pelo retrovisor, outro lugar ao meu lado ou outro sabor de café.


Porque não são essas coisas que eu quero que permaneçam.


É você.


E talvez essa seja a parte mais difícil de admitir.


Você mudou a minha vida por completo e não é fácil ser mudada quando eu já havia aceitado que aquela era a minha versão final.


Eu já conhecia meus espaços, meus hábitos, meus silêncios. Já sabia viver a minha vida do jeito que ela era.


Até você chegar e, de repente, existir um “nós” onde por tanto tempo só existiu um “eu”.


Agora me vejo amando.


Te amando.


E entendendo que o mesmo amor que tornou tão bonito dividir a vida também trouxe o medo de imaginar como seria se um dia eu precisasse voltar a vivê-la sem você.


Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.


Mas existe uma que eu não quero que um dia precise fazer sentido:


perder você.⁠