Herança em Todo Canto No quilombo... Daniel Vinicius de Moraes
Herança em Todo Canto
No quilombo antigo ou na quitanda,
A força da vida é o axé que manda.
Com fubá, canjica e óleo de dendê,
O sabor do quitute faz o dia acender.
Seja a moqueca cheia de tempero,
Ou a conversa boa no chão brasileiro.
Ganha o prato um pedaço de jabá,
E um doce de quindim para celebrar.
Um brinde de cachaça pra afastar o borocoxô,
Onde até o banguela sorri com valor.
A muvuca se junta ao som do banjo na mão,
Com berimbau e cuíca marcando o compasso no chão.
Tem ginga no corpo, tem roda de samba,
Vestindo o abadá com a gente que é bamba.
O vento sopra forte na canga estendida,
Enquanto a muamba anima a avenida.
Do tempo da senzala à força da história,
Ficou no cotidiano a luz da memória.
Não deixa o trabalho ir para o beleléu,
Leva o barro na caçamba olhando pro céu.
No descanso da tarde, fumaça do cachimbo a subir,
Um dengo sincero pra gente sentir.
Pede um cafuné antes do dia fechar,
Pois a nossa linguagem nasceu pra cantar.
