A INDECISÃO É UMA DECISÃO Talvez uma... Carloseduardobalcarse

A INDECISÃO É UMA DECISÃO

Talvez uma das decisões mais perigosas da vida seja acreditar que ainda não decidimos.

Porque enquanto pensamos, hesitamos, adiamos e esperamos pelo momento perfeito, a vida continua decidindo por nós.

A indecisão também é uma decisão.

E, algumas vezes, é a pior delas.

Decidir exige coragem porque toda escolha carrega uma renúncia. Quando escolhemos um caminho, inevitavelmente deixamos outros para trás.

Por isso hesitamos.

Queremos a segurança antes do passo, a certeza antes da escolha, a garantia antes da tentativa.

Mas a vida raramente oferece garantias.

Ela oferece possibilidades.

A mente mente.

Cria cenários, antecipa fracassos, fabrica perigos e chama de prudência aquilo que, algumas vezes, é apenas medo.

Se penso, logo resisto.

Pensar é necessário.

Pensar indefinidamente pode ser apenas uma maneira sofisticada de não agir.

É aí que entra o discernimento.

Discernir não significa ter certeza absoluta.

Significa possuir consciência suficiente para escolher mesmo quando todas as respostas ainda não existem.

Porque quem espera conhecer todas as consequências antes de tomar uma decisão talvez termine conhecendo apenas uma:

A consequência de não ter decidido.

O tempo não fica parado enquanto escolhemos.

Tempo é vida.

E o tempo não tem preço.

Tem fim.

Existem oportunidades que não dizem adeus.

Apenas deixam de existir.

Pessoas se afastam.

Portas se fecham.

Caminhos mudam.

E aquilo que hoje chamamos de “ainda estou pensando” amanhã pode receber outro nome:

Era tarde demais.

Protagonismo é compreender que nem sempre escolheremos corretamente.

Mas precisamos assumir a autoria possível da própria história.

Errar uma decisão pode nos ensinar.

Corrigir uma decisão pode nos transformar.

Mudar de decisão também pode ser sinal de consciência.

Mas permanecer eternamente indeciso nos ensina pouco, porque não caminhamos o suficiente para descobrir onde aquele caminho nos levaria.

Não decidir é permitir que circunstâncias, pessoas e tempo decidam em nosso lugar.

E depois talvez culpemos o destino por uma história cuja autoria abandonamos.

Portanto, pense.

Questione.

Discernir é necessário.

Mas decida.

Porque existem momentos em que continuar procurando a melhor decisão possível se transforma na pior decisão possível.

A indecisão não nos protege das consequências.

Ela apenas escolhe consequências que não tivemos coragem de escolher.

E talvez seja esse o maior paradoxo:

quem não decide para não perder nenhuma possibilidade acaba decidindo perder a possibilidade de escolher.

Carlos EDUARDO Balcarse

01/09/2026