Método de consciência. E quando o bule... Creusio Kizua
Método de consciência.
E quando o bule apita, o cheiro do bolo invade a cozinha e convida o aroma do café fresquinho para dançar, criando uma coreografia de memórias, intervalos e afetos.
Antes do primeiro gole, respiro. Percebo não apenas como passei o dia, mas o que o dia deixou em mim. Então observo aquilo que hoje cutuca o meu pensamento.
É assim que nascem novas linhas:
Há existências que acontecem longe de qualquer vitrine e, ainda assim, reorganizam nossa compreensão da vida.
Elas não pedem culto, testemunhas ou monumentos. Apenas nos recordam que a grande travessia não é parecer santo, perfeito ou extraordinário — é atravessar as camadas do ego até encontrar aquilo que somos em essência.
A existência não precisa ser hagiográfica. Precisa ser honesta.
Porque a espiritualidade mais profunda talvez comece quando deixamos de procurar no exterior aquilo que nossa consciência sempre esperou que reconhecêssemos dentro de nós.
Algumas pessoas não atravessam a vida fazendo barulho.
Atravessam-na fazendo sentido.
A santidade exibida produz seguidores.
A consciência vivida produz reencontros.
