Nas nuances do tempo no verde e no... Celso roberto nadilo
Nas nuances do tempo no verde e no violeta, as linhas das cores são assimiladas pela luz, desbotadas pela reação química e pelo movimento da evaporação. Nas profundezas da cor, há poros e rachaduras: os resquícios do solvente tornam-se o fenômeno que transforma a obra em monumento, pois o tempo e a temperatura expõem seus cursos, e até a umidade transfere novos caminhos para a pintura.
É a vastidão exterior interagindo com o interior — o tempo gerado por um quadro binário ou multidimensional. Para entender o que criamos no subconsciente, buscamos inovações psicológicas; mas é no espelho multiversal que encontramos estradas e estruturas em uma linguagem única: o expressionismo.
Uma arte que enfeitiça a percepção: dependendo do ângulo, transforma-se em outro desenho. São múltiplas imagens ocultas dentro de outras imagens. Muitas vezes, cenários iluminados ou tiras de metal tornam-se parte da obra. Toda criação mexe com o artista, mesmo quando a expressão ganha traços que se mesclam em um teor superficial.
A percepção física nos estímulos de cada pincelada projeta um olhar no vazio — muitas vezes como quem olha diretamente para o sol para entender o que está sendo criado. Fomos surpreendidos nas formas porque mantínhamos o olhar fixo na lembrança da pintura inicial. Então, percorremos cada contorno: os traços primordiais, as técnicas de evolução existencial. Longas exposições à luz dão continuidade ao processo, mas os padrões conceituais deixam de importar; o caminho percorrido é só seu, até que possamos visualizar novos horizontes.
Os sentimentos nem sempre são fáceis de compreender. Muitas vezes, cenários iluminados são apenas o diário de um artista. A filosofia e a especulação ambiental oferecem uma fuga da realidade, transmutando-se na angústia da solidão ou no desespero pela compreensão inata do universo. A separação e a perda do amor trazem inovações à obra; surge então uma voz na imagem reduzida — algo quase imperfeito, uma sutil nuance. O que para o público parece um sol ou uma nave alienígena é, para o pintor, a representação exata de uma lanterna reluzente que ilumina o dia.
Derivados de substâncias e bebidas trazem sensações de alteração corporal e sensorial. O momento assimilado é instável, composto por distorções mentais que se desdobram em ressaca e dor de cabeça. No choque cultural, quando a arte atravessa as eras, os sentidos costumam ser interpretados de forma limitada ou bidimensional. Testemunhamos inovações psicológicas dentro dos lapsos: a tela ganha desenho sobre desenho, revelando um segredo sentimental ou o ato de reaproveitar o próprio suporte.
A luz capturada pelo olhar fixo na tela desenvolve um estado de sentimento. A consciência transmuta ideias por meio de pareidolias mentais, evocando uma ausência — um estado divergente, primitivo e inerte. A desventura do paradigma do caleidoscópio faz parte do emaranhado do cubismo, tornando o processo uma verdadeira cascata de compreensão da tela.
