O FIM DO MUNDO Em uma tarde do ano de... Claudio Roberio Moura Luz

O FIM DO MUNDO


Em uma tarde do ano de 1977, no município de Simplício Mendes, tudo indicava que seria apenas mais um dia comum. Como de costume, a criançada corria e brincava pelas praças do centro da cidade. Nas calçadas, havia muitas cadeiras e gente conversando ou apenas apreciando o final da tarde, um hábito bastante comum naquela época. No abrigo da praça, a velha radiola tocava, e lá dentro José Olimpio e Baíca vendiam seus picolés e sorvetes.


Nesse momento, um homem passava com uma tropa de jumentos carregados de lenha para vender nas residências. A lenha era o gás de cozinha de hoje. Tudo transcorria normalmente. Mas, de repente, o que era só tranquilidade e rotina agitou-se, motivado por um estranho objeto barulhento que descia do céu.


Todo mundo se assustou. A meninada correu para casa, os adultos trancaram as portas, e três irmãs da família da senhora Sinhá Campos que moravam em frente à praça e nessa hora conversavam animadamente na calçada, apavoraram-se e começaram a rezar e ao mesmo tempo correr para dentro da casa, gritando que era o fim do mundo.


O estranho objeto desceu na pracinha em frente à casa do saudoso Dr. Antônio, que nessa época era apenas um campinho de piçarra rodeado de pedras de calçamento, onde a criançada jogava bola, brincava de pião, pipa, etc.


Naquele tempo, ainda não existia o campo de aviação. Lá era só mato. Depois do grande susto, veio a explicação: o objeto estranho era um helicóptero que trazia políticos de Teresina para Simplício Mendes


Como os meios de comunicação da época se resumiam praticamente aos correios, houve uma falha de comunicação. Os políticos da cidade esperavam que eles viessem de carro, e não de helicóptero. Se hoje essa máquina voadora ainda causa curiosidade, imagine naqueles velhos tempos.