Quase todos querem jogar, mas das... Alessandro Teodoro

Quase todos querem jogar, mas das arquibancadas. Na arena só ficam os bons, os que se acham, pedem para sair.
É fácil opinar quando não se está sob pressão, apontar erros quando não se assume nenhum risco e exigir coragem dos outros quando a própria segurança está garantida pela distância.
Da arquibancada, tudo parece simples: a jogada era óbvia, a decisão era fácil, o resultado poderia ter sido melhor.
Mas a arena revela aquilo que o discurso quase sempre esconde.
Ali não há espaço para a vaidade sobreviver por muito tempo.
O aplauso não substitui competência, a confiança exagerada não resiste ao primeiro golpe e quem entra apenas para provar que é melhor do que os outros logo descobre que a realidade não se impressiona com títulos que a pessoa atribuiu a si mesma.
Os bons não são necessariamente os que nunca erram.
São os que permanecem quando errar custa caro…
São os que aprendem com a queda e voltam para a disputa sem precisar convencer ninguém de sua grandeza.
Na arena, não basta querer parecer forte.
É preciso suportar o peso de estar em jogo.
Talvez por isso tantos prefiram as arquibancadas: dali é possível criticar sem se expor, exigir sem entregar e abandonar a partida sem jamais admitir que, quando chegou a hora de jogar, faltou coragem.
No fim, a vida costuma separar os que realmente querem fazer daqueles que apenas querem ser vistos como capazes de fazer.
E essa diferença só aparece quando chega a hora de entrar em campo.
