Lamento de Sangue e Cinzas No... Celso roberto nadilo
Lamento de Sangue e Cinzas
No ventre do caixão, no meu descanso eterno,
Corvos vertem seu sangue sobre a sepultura.
Minha alma se esvai no fogo do inferno,
Rendida à vaidade e à própria loucura.
Ouvir teu coração gritar na escuridão
Fez-me ansiar pela vida, por ser um mortal;
Meus olhos sangraram em pura aflição
Por te amar além do bem e do mal.
No desfrute da noite, a vida me toca,
Mas a alma rebelde congela no Éden.
O tempo devora, a memória me evoca,
Enquanto os anos e as eras se cedem.
Seus lábios sedentos calaram meu peito,
Fiz parar meu pulsar por este pecado.
O amor proibido, julgado e desfeito,
Pela Igreja queimado e expurgado.
Vízceras lançadas na abissal profundeza,
E no entanto, a carne estremece em desejo.
Entre o céu e o inferno, na vasta frieza,
Encontrei a solidão no calor do teu beijo.
Nas ruínas do tempo que cercam meu caixão,
Teu rosto e tua imagem jamais vão morrer:
Exijo a equivalência d’alma e coração,
Pois só no teu amor eu aceito renascer.
