Às vezes, o amor é como uma visita... Raul B. Ardeiga
Às vezes, o amor é como uma visita inesperada numa manhã de domingo. Bate à porta sem avisar, justamente quando a casa está desarrumada, quando ainda não tivemos tempo de esconder a poeira, de ajeitar as coisas, de parecermos um pouco mais prontos para receber alguém.
E então vem aquele medo bobo, quase infantil. E se ele me vir assim? E se reparar na minha bagunça? E se entrar e perceber que aqui dentro nem tudo está no lugar?
É nesse instante que tantas pessoas fecham a porta. Não porque não queiram o amor, mas porque têm medo de serem vistas antes de conseguirem se arrumar para ele. E talvez seja justamente aí que percam uma visita rara, dessas que a vida não costuma repetir.
Porque amar também é abrir a porta ao “se”. Ao se não der certo. Ao se eu me ferir. Ao se ele partir. Ao se tudo aquilo que imaginei não acontecer.
Há sempre alguma desordem numa casa habitada. Talvez exista também alguma desordem em nós que amamos. E talvez a coragem não esteja em colocar tudo no lugar antes de abrir a porta, mas em abri-la mesmo assim.
Às vezes, a maior falta de sorte não é o amor ir embora. É termos fechado a porta antes que ele pudesse entrar.
