Há portas em mim que se abrem sem... Jorgeane Borges
Há portas em mim que se abrem sem jamais revelar a casa inteira.
Há silêncios meus que dizem muito, mas ainda assim não me explicam.
Olhares que permanecem um instante além do necessário, mas não me veem completamente.
Quanto mais alguém se aproxima, talvez mais perceba que ainda há alguma coisa por descobrir.
Por descobrir-me.
Nem tudo que me toca me faz entregar.
Nem tudo que desejo me faz correr em direção ao desejo.
Aprendi a deixar algumas coisas amadurecerem no silêncio, onde a vontade não se perde — apenas ganha profundidade.
Há partes minhas que não se oferecem à pressa.
Precisam de presença, de atenção, de um olhar capaz de permanecer quando já não há certezas.
E talvez seja aí que eu permaneça mais inteira:
nesse lugar entre o que deixo ver
e tudo aquilo que ainda não encontrei razão para revelar.
Porque posso deixar alguém chegar muito perto
sem jamais deixar de ser um território que ainda precisa ser descoberto.
Talvez você conheça o caminho até mim.
Mas não confunda caminho conhecido com destino desvendado.
