Confissões de uma Caneta- Versão... Silasoliveira13

Confissões de uma Caneta- Versão original

Existe uma verdade que carrego dentro de mim há muito tempo.

Eu não me considero o autor das palavras mais bonitas que escrevo.

Sempre que termino uma poesia, uma crônica ou uma reflexão,
sinto que aquelas palavras não nasceram apenas da minha inteligência.
Elas chegaram até mim como uma brisa silenciosa.
Vieram prontas, tocaram meu coração e pediram apenas que eu lhes desse voz.

Por isso, gosto de pensar que não sou o escritor.

Sou apenas a caneta.

A caneta não escolhe as palavras.

Não cria as histórias.

Não conhece o destino daquilo que escreve.

Ela apenas se deixa conduzir pela mão de quem a segura.

É assim que me sinto diante de Deus.

Muitas vezes, enquanto escrevo, percebo que Ele coloca pensamentos na minha mente,
desperta sentimentos no meu coração e me conduz por caminhos que sozinho jamais encontraria.
Há momentos em que leio aquilo que escrevi e me pergunto de onde veio tanta beleza.
Então compreendo que não veio de mim.

Veio d’Ele.

Mas existe uma inquietação que nunca deixa de me visitar.

Se Deus inspira tantas sementes através das minhas palavras,
por que tantas delas ainda não floresceram dentro de mim?

Por que consigo falar sobre o perdão e, tantas vezes, ainda luto para perdoar?

Por que escrevo sobre a paz e continuo travando guerras dentro da minha própria alma?

Por que falo da confiança em Deus,
mas ainda corro para Ele apenas quando a tempestade destrói o jardim da minha vida?

Às vezes sinto-me como um jardineiro que conhece todas as flores pelo nome, mas ainda não aprendeu a cuidar do próprio canteiro.

Basta que as dificuldades apareçam, que alguém invada minha paz ou que os ventos derrubem aquilo que plantei, e então corro para Deus.

Procuro o Grande Agricultor.

Aquele que sabe reconstruir o que foi destruído, replantar o que morreu e devolver vida ao que parecia perdido.

E Ele nunca falha.

Nunca chega atrasado.

Nunca me abandona.

Sempre encontra uma maneira de transformar a terra seca em esperança.

Talvez seja por isso que continuo escrevendo.

Não porque me considere um homem santo.

Mas porque sou um homem profundamente necessitado do amor de Deus.

Quando falo d’Ele, sinto-me forte.

Quando escrevo sobre Ele, meu coração encontra paz.

Quando medito sobre Sua presença, tenho a certeza de que Ele habita dentro de mim,
ainda que minhas atitudes nem sempre revelem essa realidade.

Lembro-me das palavras de Santo Agostinho: “Deus estava dentro de mim enquanto eu O procurava do lado de fora.”

Talvez essa seja também a minha história.

Passei muito tempo procurando sinais extraordinários, quando o maior milagre sempre aconteceu no silêncio da minha própria alma.

Deus nunca deixou de falar comigo.

Falava através das inspirações.

Das pessoas que colocou em meu caminho.

Das portas que abriu.

Dos livramentos que só compreendi muitos anos depois.

Das palavras que surgiam quando eu me sentava para escrever.

Hoje entendo que não sou a fonte.

Sou apenas o instrumento.

Como um pequeno receptor que capta um sinal invisível e o transforma em algo que outras pessoas conseguem ouvir.

A mensagem nunca pertence ao receptor.

Ela vem de muito mais longe.

Talvez minha missão seja exatamente essa.

Receber.

Guardar.

Escrever.

E repartir.

Mas existe um desejo que ainda apresento a Deus em minhas orações.

Não quero ser apenas a caneta que escreve belas palavras para os outros.

Quero ser também o papel onde essas mesmas palavras fiquem gravadas.

Quero que cada frase inspirada transforme primeiro a minha própria vida.

Quero que o jardim floresça dentro de mim antes de perfumar o caminho de quem passa ao meu lado.

Porque, no fim, não desejo ser lembrado pelas palavras que escrevi.

Desejo apenas que, ao olhar para minha vida, as pessoas consigam perceber que Deus realmente segurou esta caneta.

E que, enquanto escrevia através dela, também escrevia, pacientemente, dentro do coração de quem a carregava.