Feliz Dia dos Pais... Releitura da... Edineurai SaMarSi

Feliz Dia dos Pais...


Releitura da homenagem de 2018




A todos os pais que conheço, principalmente ao meu querido pai, Nicanor Marques da Silva; à minha mãe, Leonor — porque, afinal, "ao lado de um grande homem sempre há uma grande mulher"... —; ao meu "sogrodrasto", Geraldo; aos meus irmãos e, enfim, ao meu esposo, Ricardo Flores.




De repente, fiquei pensando no tempo que gasto fazendo brinquedos artesanais para os meus filhos.


Às vezes, nem sei por quê.


Afinal, era só ir a uma loja e comprar...


Mas talvez não seja só isso.


Talvez, quando fazemos algo com as próprias mãos, estejamos, sem perceber, repetindo gestos que um dia alguém fez por nós.




Hoje me lembrei dos meus pais.


Lembrei do meu pai fazendo bercinhos, balanços de brinquedo e de verdade, banquinhos, casinhas em cima das árvores...


Até uma árvore plantada naquele mesmo dia, com apenas 30 centímetros, com escada e tudo; todinha para mim, quando eu já não era tão criança assim — com 1,65 m —, somente no ano seguinte, debaixo dela, entendi o porquê daquela escada... 😂


E lembrei da minha mãe costurando roupas para as minhas bonecas.


Acho que ela não costurou por muito tempo porque eu não gostava muito de bonecas...


Talvez até gostasse.


Mas, com três irmãos, eu tinha uma missão: enlouquecer a vida deles! 😁😁


Minha mãe também fazia as minhas "poucas" comidas preferidas.


Dei muito trabalho no quesito alimentação, porque simplesmente não comia. 🤦🤦


E hoje, com a Lana, sinto na pele um pouquinho do que minha mãe passou comigo... 🙄


A vida tem dessas coisas.


Um dia somos filhos.


No outro, percebemos que estamos repetindo os nossos pais.


Não tive tudo o que queria.


Mas tive tudo o que precisava.


E eles me ensinaram — e ainda me ensinam — muito.


Hoje, quando vejo tanto ódio na alma das pessoas da minha "idade", só consigo agradecer a Deus pela sabedoria que meus pais tiveram para criar a mim e aos meus irmãos.


E peço, imploro a Deus, que me conceda pelo menos metade dessa sabedoria para criar os meus filhos.


Porque criar alguém talvez seja isso: tentar entregar ao outro um pouco daquilo que um dia plantaram em nós.


Não sei se meus filhos crescerão procurando um príncipe ou uma princesa para viver um "Conto de Fadas".


Não sei.


O que sei é que fui criada como uma princesa por um rei e uma rainha.


E, por isso, nunca esperei encontrar menos que um príncipe. Alguém que me tratasse com respeito, dignidade e amor.


É isso que tento ensinar aos meus filhos. Principalmente, a não aceitarem migalhas.


Porque, se metade do mundo é feita de monstros e tristeza, existe uma outra metade que é feita de magia e alegria.


Tudo depende do ponto de vista.


E, às vezes, da vista de um ponto...


"Só podemos oferecer o que temos, porque sempre colhemos o que plantamos."


Hoje sei que não acordamos simplesmente um dia e decidimos imitar alguém.


Não.


Vamos fazendo isso todos os dias.


Mesmo sem querer.


Mesmo sem perceber.


Vamos nos espelhando no outro, em cada atitude, em cada palavra, em cada escolha.


E, talvez, seja por isso que os nossos pais nunca vão embora completamente.


Eles continuam em nós.


No jeito como amamos.


No jeito como cuidamos.


No jeito como educamos.


Até mesmo nas coisas que fazemos sem perceber.


Naquela semana em que meu pai foi para o outro lado — um outro lado que, na verdade, é bem ali —, aconteceu algo que hoje considero um presente.


Sem saber que o tempo estava acabando, em uma ligação, eu me declarei para ele.


Falei.


Disse tudo aquilo que talvez já soubéssemos, mas que precisava virar palavra. Precisava ser ouvido.


Falei da distância.


Da saudade.


E disse que, um dia, nada mais iria nos separar.


E, no final daquela semana, foi exatamente o que aconteceu.


Não existia mais distância entre nós.


Logo, não haveria mais ausência.


Ele não era perfeito.


Ninguém é.


Mas, quando se ama, ama-se por inteiro.


Não se ama apenas a parte bonita.


Não se colocam os defeitos para debaixo do tapete.


Ama-se a história inteira.


Com acertos. Com erros. Com imperfeições. Com tudo aquilo que faz alguém ser quem é.


E não havia remorso.


Talvez faltasse uma ou outra coisa que eu ainda não tivesse feito.


Não por orgulho. Por "agendamento".


Eu havia deixado algumas datas na minha agenda da vida.


Mas a vida não funciona assim.


Não podemos brincar com o destino. Porque o destino é improvável.


Não podemos esperar que o outro amadureça, que enriqueça, que chegue ao topo de algum lugar qualquer, para então vivermos aquilo que queremos viver. Porque, no final, nada disso importa.


Às vezes, você quer entregar um castelo de neve.


E o outro só precisa de um boneco de areia.


E, enquanto você espera o momento perfeito, pode estar simplesmente adiando a felicidade.


Agendando o amor.


Deixando para depois um abraço. Uma palavra. Um "eu te amo". Um encontro. Uma presença.


E a vida não assina compromissos com a nossa agenda.


Tudo tem um ciclo natural para seguir.


E ele segue.


Mesmo vazio. Mesmo ferido. Mesmo quando não estamos preparados.


A vida segue seu curso.


É matemática. É física. É como uma roda-gigante: ela pode diminuir a velocidade, mas não pode permanecer parada.


Talvez seja por isso que hoje eu faça tantos brinquedos para os meus filhos.


Talvez eu esteja tentando, sem perceber, devolver ao mundo um pouco do que recebi.


Talvez seja por isso que ainda escrevo. Para transformar lembranças em palavras. Para transformar saudade em história. Para transformar aquilo que vivi em alguma coisa que possa tocar alguém.


Porque, no fim, somos um pouco de tudo aquilo que recebemos. E também de tudo aquilo que escolhemos oferecer.


Meu pai me deixou muitas coisas.


Algumas cabem nas mãos. Outras, não.


Deixou lembranças. Deixou ensinamentos. Deixou exemplos.


E deixou, principalmente, uma parte dele dentro de mim.


Talvez seja essa a verdadeira herança dos pais: aquilo que permanece quando eles já não podem mais estar fisicamente ao nosso lado.


A todos os pais. Principalmente aos que refletem bondade.


Aos que ensinam pelo exemplo.


Aos que constroem castelos, mesmo que sejam de madeira, de areia ou de sonhos.


Aos que plantam árvores sem saber quem um dia descansará à sua sombra.


Aos que amam. Aos que cuidam. Aos que deixam raízes.




😍 Feliz Dia dos Pais, mães, avós, tios... 😍