A Conta que Não Fecha Interromper o que... Ginhoperalta
A Conta que Não Fecha
Interromper o que mal começou dói de um jeito estranho
Não é a saudade do que fomos, é o luto pelo que poderíamos ter sido.
Ficou o vazio.
Uma gaveta meio aberta, um resto de café que esfriou no copo,
o eco de uma promessa que nem chegou a virar história.
Dói aqui dentro, no meio do peito,
esse espaço oco onde a decepção resolveu morar.
Eu queria acreditar nas palavras bonitas,
mas o peso do mundo real falou mais alto.
E nas entrelinhas do que vivemos,
percebi que a conta nunca seria de afeto,
mas de **status**, de **prover**, de **ter**.
Dói aceitar que fui visto como um degrau,
como um porto seguro para o bolso, não para a alma.
Ser usado deixa um amargor que o orgulho demora a limpar.
E a incerteza me dá raiva, mas a intuição não mente:
quando o interesse pesa mais que a entrega, o amor nem chega a nascer.
Por isso, puxo o freio agora.
É a melhor escolha para o momento,
mesmo que o peito ainda arda de incerteza.
Prefiro o silêncio da minha solidão
do que o barulho de ser amado apenas pelo que posso oferecer.
*O meu valor nunca foi cifrão.*
*Fecho a porta antes do fim, para salvar que sobrou de mim.*
