Às vezes, a saudade não é apenas da... Alexsándra Duárte

Às vezes, a saudade não é apenas da pessoa.

É da história que imaginamos viver ao lado dela.

É dos planos que criamos em silêncio, das conversas que nunca aconteceram, dos lugares que sonhamos conhecer juntos e da vida que o coração começou a construir antes mesmo de a realidade confirmar que ela existiria.

E é importante entender essa diferença.

Nem sempre sentimos falta de quem a pessoa realmente foi. Muitas vezes, sentimos falta daquilo que acreditávamos que ela poderia se tornar.

O amor cria expectativas.

Mas a maturidade aprende a olhar para a realidade.

Quando alguém entra em nossa vida, é natural enxergar seu potencial. No entanto, relacionamentos não são construídos sobre promessas, possibilidades ou versões idealizadas de alguém. Eles se sustentam nas escolhas diárias, na presença, na reciprocidade e no compromisso.

Por isso, faça uma pergunta sincera a si mesmo: você sente falta da pessoa que ela demonstrou ser ou da pessoa que você esperava que ela um dia se tornasse?

A resposta pode transformar a maneira como você enxerga essa história.

Proteja o seu coração sem endurecê-lo. Continue acreditando no amor, mas permita que o tempo revele quem merece caminhar ao seu lado.

Os sonhos são importantes.

Mas a paz nasce quando deixamos de amar apenas o que imaginamos e aprendemos a valorizar aquilo que a realidade nos mostra.

Porque o amor saudável não nos convida a viver de expectativas.

Ele floresce no encontro entre duas pessoas que, todos os dias, escolhem construir a mesma direção.

Espero que esse texto lhe sirva de lembrança de que amar também é discernir. O coração pode sonhar, mas a sabedoria observa os fatos antes de entregar a própria vida às promessas da imaginação.


Alexsándra Duárte