Das imensuráveis versões de mundo,... Alessandro Teodoro

Das imensuráveis versões de mundo, nenhuma é tão medonha quanto a que gira em torno do umbigo de alguém.
Esse é um mundo muito pequeno, embora seus habitantes costumem acreditar que é gigantesco.
Nele, tudo é interpretado a partir de uma única perspectiva: a própria.
O que contraria é ofensa; o que diverge é ameaça; o que não atende aos próprios interesses é, quase sempre, incompreensão alheia.
Quem vive no centro de si mesmo não precisa necessariamente ser cruel…
Às vezes, basta-lhe ser incapaz de perceber que existem outras dores, outras razões, outras histórias e outras maneiras legítimas de enxergar a mesma realidade.
O problema começa quando o próprio ponto de vista deixa de ser apenas uma perspectiva e passa a ser tratado como medida de todas as coisas.
Então, já não se escuta para compreender, mas para encontrar brechas na fala do outro.
Já não se debate para descobrir alguma verdade, mas para vencer.
Já não se admite um erro, porque reconhecer a própria falha parece diminuir a dimensão de quem precisa parecer sempre maior.
E assim, pouco a pouco, o mundo vai ficando mais estreito.
Não porque faltem possibilidades, mas porque sobra ego.
Há quem confunda convicção com certeza absoluta, firmeza com arrogância e autenticidade com a licença poética para desconsiderar a ideia de todos que não pensam como ele.
Esquece-se de que maturidade não é ter respostas para tudo, mas conservar a humildade intelectual necessária para admitir que a realidade é muito maior do que aquilo que conseguimos enxergar dela.
Talvez uma das maiores demonstrações de inteligência seja justamente sair, de vez em quando, do centro da própria narrativa.
Olhar ao redor…
Perceber que ninguém é protagonista o tempo inteiro.
Que o mundo não foi escrito para confirmar nossas certezas.
Que existem pessoas carregando batalhas que desconhecemos, silêncios espinhosos que não compreendemos e razões que talvez jamais tenhamos considerado.
No fim, há algo profundamente triste em precisar fazer o universo inteiro girar ao redor de si.
Porque quanto mais alguém exige ser o centro de tudo, menos mundo consegue enxergar.
E talvez a verdadeira grandeza comece exatamente quando descobrimos que não somos o centro — somos apenas uma pequena parte de um mundo imensamente maior do que o nosso próprio umbigo.
