Há convites cuja recusa não é... Geziel Moreira Jordão (Dedy...

Há convites cuja recusa não é ausência, mas um refinado exercício de lucidez.
Às vezes, a melhor companhia é o silêncio escolhido, longe dos ruídos que já não acrescentam paz à existência.
Um vinho seco, a lua suspensa no infinito e a serenidade de não precisar estar onde a alma não deseja permanecer.
Há uma elegância quase filosófica em afastar-se, por vontade própria, de tudo aquilo que perturba o espírito.
Nem toda solidão é vazio; algumas são territórios de reconstrução, discernimento e liberdade.
Porque amadurecer também é compreender que presença não significa pertencimento, e distância nem sempre significa perda.
Existem noites em que contemplar a lua vale mais do que frequentar ambientes onde precisamos diminuir a nós mesmos para caber.
O silêncio, quando voluntário, reorganiza pensamentos que o excesso de vozes costuma dispersar.
E assim, entre um gole e outro, descobrimos que preservar a própria paz também é uma sofisticada forma de sabedoria.
Afinal, há recusas que não nos afastam da vida — apenas nos aproximam de nós mesmos.