​Projeções e códigos que a órbita... Celso roberto nadilo

​Projeções e códigos que a órbita da Lua descreve; o mesmo efeito de nuvens rígidas, cores, sons, tempestades e a fonética do silêncio absurdo anterior à catástrofe. Pássaros possuem um campo magnético que os atrai e repele; o parecer do achismo nada vale diante da imensidão de dimensões infinitamente sobrepostas. Para onde ir pelas rotas planetárias?
​As cores assimiladas pela mente coordenam a estabilidade humana. A distorção da direção é a simplicidade das respostas contidas no cotidiano — e esse cotidiano é constantemente manipulado pelo ambiente em que se vive e pelo som que se sente. Suas experiências e memórias podem ser conduzidas como no Efeito Mandela: tudo o que você lembra é o efeito de uma imagem reduzida a uma história dentro do espaço dinâmico e contínuo das emoções. Experiências passadas são expostas, mas restam apenas como a ilusão temporal da cor na mente. É como o pecado original: navega-se pela figura da maçã, embora jamais tenha sido dito na Bíblia ou em outro manuscrito que o fruto era uma maçã. Narrativas de alienação e controle mental são criadas para induzir a aceitação da origem sob uma forma apocalíptica, passiva e obediente, forjando mundos paralelos "perfeitos" e multiculturais. Na vida, o trabalho é um mundo; cada lugar de interação é um universo distinto. Das cores das nuvens até o tempo na órbita vista da Lua, tudo difere — e assim continuamos assimilando realidades.
​Cada cor carrega cheiro, gosto e emoção. A música refinada de um restaurante é manipulada para transmitir um ar de graça e contemplação. O bife carnudo deixa de ser algo para matar a fome e passa a ser uma obra feita para ser apreciada. Já em uma barraca de cachorro-quente, a cor da salsicha, o aroma do purê de batatas e os condimentos geram a sensação do trivial e empolgante, projetado para saciar a urgência. O som de fundo costuma ser música popular, feita para despertar mais fome. Até mesmo o suco saturado de açúcar ou supostos aminoácidos, girando em uma máquina que lembra uma lavadora de roupas, é pura informação concebida pela imensidão da venda e do consumo. Cores e estímulos hipnotizam pela velocidade e pela pressão do tempo.
​Da poeira pensante à química da poça primordial perto de vulcões imensos, onde a água jorra elementos até que a descarga de um raio dá o passo inicial à vida. Parece um filme. Adão e Eva, a manipulação na crença do que não lembramos ou do que parecia irrelevante perante o que somos.
​O espaço cronológico projeta imagens, sonoridades e a passagem do tempo. A cor cinza desbotada ou o amarelo resgatam o passado como um vestuário que, involuntariamente, remonta a um cenário em que a mente regressa à própria juventude. Essa arquitetura silenciosa nos manipula, pois pode ser substituída por outras lembranças ou noções de conhecimento — a reminiscência evolutiva. O mosaico da nostalgia e da física opera em sincronia através do tempo: lembra-se de como o sol estava ou de como o dia seria. Vendemos sensações nas escolhas, na música de fundo, na comida do restaurante fino ou na marmita do restaurante japonês. A realidade se molda a cada momento irônico em que tomamos decisões sobre a imagem que temos de nós mesmos.
​Na psicologia, busca-se compreender as dores da psique e aceitar o que somos diante do inevitável: as afecções da consciência. Como questionar o porquê de existir dentro das ironias impostas pela própria ilusão da escolha? No micromundo, o mero ato de observar já manipula o objeto atômico.
​Essa dinâmica eleva o formato da nossa existência. Nada entendemos até alcançar a compreensão, pois a evolução existencial determina que a fogueira permaneça acesa para que existam alegorias. É como o quadro-negro na escola contendo uma equação sem solução para que os alunos a resolvam, até que o funcionário da limpeza vai lá e a soluciona. Afinal, gênios nascem em árvores?
​As metáforas se expõem entre as adversidades da mente. A sensação de mudança e a percepção do tempo variam se estamos viajando ou trabalhando em um prédio: noções de tempo distintas envolvidas pela premissa da realidade e pelo obstáculo do mosaico visual. Ao longo da rodovia, vemos a pareidolia e a miragem exposta pelo calor. A mente falha porque as falhas são determinadas pela matriz da realidade.
​As cores assimiladas moldam os aspectos morais e éticos. A sede vem porque a consciência avisa que está quente, e a busca por água refresca a mente; mas quando usamos óculos escuros, o calor parece apaziguado, pois a visão do ambiente foi alterada. Da mesma forma, a música não deixa dormir: o efeito do funk na rua lembra por que gritamos para o universo. O universo se silencia, olha para cima e revira os olhos: "Humanos..."
​O universo visto como um cubo é só mais uma pareidolia da nossa visão limitada para torná-lo um organismo aceitável. No micromundo, tudo está conectado, mas nada interage até que observemos. As probabilidades e a semântica da evolução existencial determinam que, a cada instante em que avançamos pelo cosmos, vemos as variações do destino. O final não é a escolha; é aceitar a escolha e compreender.
​Dentro desta compreensão, vislumbramos instantes de vidas passadas arquivadas na memória. Agora, no silêncio absurdo, enxergamos as escadas que construímos. A mobilidade nos transporta e evoluímos em uma cascata de eventos: quando abrimos as portas da evolução existencial, caminhamos por um caminho sem volta.
​Mesmo quando despertamos nossas mentes, o mundo se torna pequeno em lapsos de memória.
Por Celso Roberto Nadilo
O espaço e tempo relativos o que somos diante o somos.