Nem sempre o chão da alma é seguro,... Rosangela Calza

Nem sempre o chão da alma é seguro,
às vezes afunda, se quebra, se perde no escuro.
Nem sempre o tempo cura qualquer dor,
há feridas que insistem em viver no interior.
O sabor a fim do mar, que vem do escuro,
é o eco das dores, um sabor tão puro.
É o que resta do calor que um dia brilhou,
é o suspiro quieto de um amor que acabou.
No silêncio profundo, onde a alma se esconde,
há uma espera longa, onde a esperança responde.
Nem tudo se apaga, nem tudo se vence,
mas há na dor tristeza que também nos convence.
Que mesmo o chão incerto, por mais que balance,
carrega a vida, a luta e a esperança.
E no sabor amargo que deixa o fim do mar,
floresce a coragem para recomeçar.