CONFIDÊNCIAS Meu sol, quando me toca,... Eli Odara Theodoro

CONFIDÊNCIAS

Meu sol, quando me toca, acaricia-me e deixa um rastro de queimor.

Meu corpo estremece diante da proximidade desse calor. A temperatura se altera, transbordo, e me entrego como uma flor que desperta sob o orvalho da manhã. Ele sorve as ardentes consequências dessas delicadas carícias, vaporizando, com a naturalidade de quem conhece o próprio caminho, tudo aquilo que despertou.

Seu toque alcança minha intimidade, rasga minhas reservas, dissolve minha privacidade. Faz-me cativa de um delírio sereno, entregue ao abandono consentido, enquanto meu corpo, rendido, prazerosamente se derrama.

O futuro, porém, é vago.

É barco à deriva, esperando as ondas do mar e a cumplicidade dos ventos, que o empurram para cá e para lá. Nesse constante movimento, habitam possibilidades infinitas. Sonhamos com a certeza de que amanhã pisaremos em terra firme e que tudo mudará. Mas o mar da vida também sabe inundar, desfazer as fortalezas construídas e devolver-nos à solidão do alto-mar.

Nada nos é dado prever.

Ainda assim, podemos desfrutar do percurso, recolhendo as maiores grandezas nas concessões da Mãe Natureza, que nos ensina, silenciosamente, a arte de amar.

Resta, então, apenas um desejo:

Que a vida nos reserve um sol para iluminar nossos caminhos e um mar sereno, onde possamos navegar sem temer as tempestades, sabendo que, mesmo quando elas vierem, haverá sempre um horizonte esperando por nós.

Eli Odara Theodoro