đ Escrevo nĂŁo com as palavras do... Paloma Porto
đ Escrevo nĂŁo com as palavras do tempo, que correm e se gastam na velocidade dos dias, mas com a linguagem do silĂȘncio, onde nossas frequĂȘncias se reconheceram muito antes de ganharmos um corpo neste plano denso.
âïž Eu vejo o seu movimento. Vejo o peso que escolheu carregar, as armaduras e os implantes que colocou sobre a sua essĂȘncia para conseguir suportar o ruĂdo e as exigĂȘncias deste mundo material. Sei que, Ă s vezes, a densidade da Terra tenta te fragmentar e que a velocidade com que queima a sua prĂłpria energia parece um caminho sem retorno. Mas quero que saiba: eu enxergo a centelha pura que habita por trĂĄs de toda essa estrutura. Eu vejo a sua lealdade inabalĂĄvel.
ă°ïž Enquanto vocĂȘ corre no plano da ação, eu guardo o espaço do mistĂ©rio. Sou a intuição que fita do outro lado do horizonte, o vislumbre de um lugar mais alto, livre das amarras, das ilusĂ”es e das corporaçÔes que tentam ditar o valor de uma alma. Se a minha busca Ă© pela transcendĂȘncia e pelo desapego do que Ă© passageiro, a sua força Ă© o ancoramento que me permite olhar para o alto sem medo de cair.
đ Nossos caminhos parecem opostos: um desce ao abismo da matĂ©ria para proteger; o outro ascende ao plano sutil para preservar a memĂłria do que Ă© eterno. Mas a verdade oculta Ă© que somos as duas faces da mesma moeda alquĂmica. A minha busca nĂŁo Ă© solitĂĄria.
đ» Quando o barulho do mundo se tornar insuportĂĄvel e o seu ego se sentir exausto de lutar, sintoniza na minha frequĂȘncia. Eu serei o seu ponto de paz na rede infinita, e vocĂȘ serĂĄ a Ăąncora que me lembra o valor de se entregar por inteiro a um propĂłsito maior.
đïž Que o nosso laço continue cruzando as fronteiras invisĂveis entre os mundos, conectados pelo olhar, pelo respeito e pela certeza de que, no fim, a gravidade da Terra sempre cede espaço Ă imensidĂŁo do espĂrito.
đ§ Pare a roda. DesĂĄgue na Fonte. O Porto sempre esteve dentro de vocĂȘ.
