Pior que Alugar a própria cabeça,... Alessandro Teodoro

Pior que
Alugar
a própria cabeça,
só fingir recusar o Aluguel.
Há quem diga que não se importa com as opiniões dos outros.
Que vive conforme a própria consciência, sem depender de aplausos ou críticas.
Mas basta um olhar atravessado, um comentário mal colocado ou a ausência de reconhecimento para que o humor mude, e as certezas vacilem.
Talvez o problema não seja só alugar a própria cabeça.
O pior é acreditar que ela nunca esteve ocupada.
Vivemos cercados por expectativas.
Da família, dos amigos, do trabalho, da sociedade…
Algumas são inevitáveis e até necessárias.
O perigo começa quando deixamos que essas vozes decidam quem somos, o que sentimos e até o valor que damos à nossa existência.
Fingir independência emocional é uma armadura muito bonita por fora, mas demasiadamente pesada por dentro.
Quem nega toda influência externa corre o risco de nunca perceber as correntes invisíveis que o prendem.
Somos — inevitavelmente — um pouquinho de tudo que consumimos.
A verdadeira liberdade não nasce da ilusão de que ninguém nos afeta, mas da consciência de escolher quais vozes merecem espaço em nós.
Alugar a própria cabeça é entregar as chaves dos próprios pensamentos.
Fingir que nunca as entregou é perder a chance de recuperá-las.
No fim, maturidade talvez seja isso: reconhecer que todos somos influenciados, mas que nem toda influência precisa se tornar inquilina.
Algumas opiniões podem até bater à porta, entrar para um café e ir embora.
Outras jamais deveriam receber uma cópia da chave.
Porque a paz não está em convencer o mundo de que somos inabaláveis.
Está em aprender, dia após dia, a morar novamente em nós mesmos.
