Esqueça as flores com laços de fita e... Paulo H Salah Ad din

Esqueça as flores com laços de fita e toda essa bobagem romântica que vendem nas vitrines.
O amor de verdade não amarra nada, ele chuta a porta.
É como abrir a última garrafa de uísque barato às três da manhã, quando você achava que a noite já tinha acabado e o fígado implorava por trégua.
Ele chega sem pedir licença. Não quer saber do seu passado caprichado ou dos seus sapatos limpos.
O amor que liberta te joga no chão da cozinha, arranca a sua camisa velha e rasgada, e te faz rir da própria desgraça.
É um gole forte.
Daqueles que queimam a garganta, limpam as feridas e te deixam cru, sem as máscaras que você usa para caminhar entre os idiotas na rua.
Ele não te prende em uma gaiola de promessas falsas; ele escancara a janela e diz: "O mundo lá fora é um hospício, mas aqui dentro a gente pode ser louco em paz".
Você acorda com dor de cabeça, o cinzeiro cheio e o gosto de fumaça na boca.
Mas olha para o lado e vê que as amarras sumiram.
Você está livre. Livre para falhar, livre para beber mais um copo, livre para ser o poço de defeitos que sempre foi, mas agora sem carregar o peso do mundo nas costas.
O amor não é um nó de marinheiro na garganta.
O amor é o saca-rolhas.