Quando a estrela matutina resplandece no... Monalisa Ogliari
Quando a estrela matutina resplandece no céu mil alvoradas despertam como vagalumes brincando de acender luzes verdes florescentes no mesmo tempo em que as roseiras abrem suas pétalas a espera do sol. No mar as marés acompanham a lua e a flor açucena desabrocha em lírios brancos anunciando que a paz se estende no universo e harmoniosamente cantarolamos uma antiga cantiga e em nossas línguas sentimos as framboesas silvestres que doam seus frutos gratuitamente. Amanhece no orvalho da grama e o dia se faz como uma fábrica a tecer ações numerosas em que a terra abunda trabalhos cotidianos. E é preciso tirar as ervas daninhas, pois as begôneas pedem espaço. O lavrador trabalha a terra com paciência e uma vasta plantação de estrelas se espanham nos campos do universo. O ser humano observa o chão se transformar e no fruto do trabalho descansam as constelações. Eu me vejo absorta olhando o horizonte e pensando em quem eu amo. Será que já me esqueceu? Por quais caminhos andará? Será que escrevo cartas ao vento? Em uma cachoeira renovo meus passos e os pensamentos lunáticos caminham mais adiante. Eu nasci una do ventre de minha mãe. Porque afinal esse sonho de ser dois? É um pensamento esdrúxulo que eu deixo passar. E ao descansar o corpo debaixo de uma árvore eu me esqueço e parece que eu não amo mais se a sombra areja minha mente e na fome eu me farto de estrelas cadentes que viajam sem destino e se apresentam luminosas nos meus olhos dúbios. Eu amo e esqueço. O amor é uma pergunta e uma ausência e mais me distrai ver uma formiga carregar uma folha maior que seu próprio peso. Se meu amor já me esqueceu, o que eu ganho em pensá-lo tanto? Mas amor não se ganha, amor se doa, e o amor dói, porque pulsa no corpo e os olhos inebriados já não sabem esquecer. E penso, penso, penso, penso em você. E pergunto à leve brisa: Você já me esqueceu? E espero o vento me responder.
