ANDRÉ LUIZ DEVE SER ESTUDADO À LUZ DE... Marcelo Caetano Monteiro
ANDRÉ LUIZ DEVE SER ESTUDADO À LUZ DE KARDEC: A Codificação Como Alicerce Insubstituível.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há uma recomendação que merece ser constantemente lembrada por todo estudante sério da Doutrina Espírita: não basta ler as obras de André Luiz; é preciso estudá-las. Contudo, esse estudo somente alcança sua plenitude quando está firmemente apoiado sobre o fundamento inabalável da Codificação Espírita, elaborada por Allan Kardec.
As obras de André Luiz não são narrativas de entretenimento, tampouco simples descrições do mundo espiritual. Elas constituem um vasto campo de observação, reflexão e aprofundamento doutrinário. Seus relatos apresentam fenômenos, organizações, leis, atividades e relações entre os planos material e espiritual que ampliam nossa compreensão da vida. Entretanto, para que esse conteúdo seja corretamente assimilado, é indispensável possuir previamente os princípios fundamentais estabelecidos por Kardec.
Essa ordem não é fruto de preferência pessoal, mas da própria lógica da Revelação Espírita.
Se a Providência Divina permitiu que a Codificação surgisse em 18 de abril de 1857, muito antes das obras de André Luiz, foi porque ela representa o alicerce sobre o qual todo o edifício doutrinário deve ser construído. Não há acaso nessa sequência histórica. Kardec estabeleceu os princípios universais da Doutrina por meio da observação criteriosa dos fatos, do controle universal do ensino dos Espíritos e da submissão constante à razão. Somente depois desse sólido fundamento vieram as obras complementares, entre elas a extraordinária contribuição de André Luiz.
É justamente aí que muitos estudantes encontram dificuldades.
Não são poucos os que se encantam com as descrições de cidades espirituais, hospitais, processos de desencarnação, recursos tecnológicos, mecanismos da mediunidade, formas de socorro espiritual ou detalhes da vida além da matéria. Entretanto, sem conhecer profundamente O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, todas as Revistas Espíritas ( 1° de janeiro de 1858 a 31 de dezembro de 1869 ) acabam transformando essas descrições em curiosidades, interpretações pessoais ou mesmo em motivo de dúvidas e conflitos.
Daí surgem os equívocos.
Alguns passam a discutir detalhes secundários, esquecendo os princípios fundamentais. Outros, por não compreenderem a linguagem e os objetivos de André Luiz, concluem precipitadamente que suas obras são fantasiosas ou contraditórias. Há ainda aqueles que, diante das dificuldades de interpretação, afastam-se dos grupos de estudo ou mesmo da Casa Espírita, quando, na realidade, lhes faltou exatamente aquilo que Kardec sempre recomendou: o estudo metódico dos fundamentos da Doutrina.
Não é André Luiz quem apresenta dificuldade.
Frequentemente, é a ausência da base kardequiana que impede a correta compreensão de sua obra.
A Codificação oferece as leis; André Luiz apresenta inúmeros exemplos de sua aplicação.
Kardec estabelece os princípios; André Luiz ilustra muitos de seus desdobramentos.
Kardec explica as causas; André Luiz descreve diversas consequências.
Um não substitui o outro. Muito menos existe oposição entre ambos. Pelo contrário, quando lidos na ordem natural proposta pela própria história da Doutrina, revelam uma extraordinária harmonia.
Sem Kardec, corre-se o risco da imaginação.
Com Kardec, desenvolve-se o discernimento.
Sem Kardec, muitas interpretações permanecem no campo das opiniões pessoais, do "eu penso", do "eu acredito", do "talvez seja assim". Com Kardec, aprende-se a fundamentar as convicções sobre princípios universais, submetidos ao exame da razão e da concordância dos ensinos dos Espíritos superiores.
O Espiritismo não solicita crença cega.
Convida ao entendimento.
Não pede adesão emocional.
Convida ao estudo.
Não estimula o fascínio pelo extraordinário.
Convida à compreensão das leis divinas.
É por isso que Allan Kardec continua sendo o referencial permanente da Doutrina Espírita. Seu método preserva o estudante dos excessos da imaginação, do personalismo, do misticismo e das interpretações isoladas.
André Luiz, por sua vez, enriquece esse patrimônio oferecendo um extraordinário campo de observação do mundo espiritual, sempre compreendido de maneira muito mais profunda quando examinado à luz dos princípios codificados.
O Espiritismo consola, mas consola porque esclarece.
A consolação verdadeira nasce da compreensão das leis divinas. Quanto maior o conhecimento dessas leis, maior a serenidade diante da vida, da morte, da dor, das provas e da esperança.
Por isso, estudemos André Luiz com respeito, dedicação e profundidade, mas jamais nos afastemos da fonte primeira da Doutrina: a Codificação Espírita.
É nela que encontramos o critério seguro para analisar qualquer informação, qualquer mensagem mediúnica e qualquer obra subsidiária.
Nenhum autor, por mais respeitável que seja, substitui Kardec na estrutura doutrinária do Espiritismo.
E isso não diminui André Luiz; ao contrário, valoriza ainda mais sua contribuição, pois demonstra que suas obras encontram seu verdadeiro sentido quando dialogam com os princípios estabelecidos pela Codificação.
Que façamos, portanto, do estudo das Obras Básicas um compromisso permanente. Não para nos considerarmos superiores, sábios ou detentores da verdade, pois o Espiritismo não consagra castas espirituais nem hierarquias humanas de santidade. Somos todos aprendizes, caminhando em diferentes etapas da evolução.
Mas estudemos para que nossa fé deixe de ser mera opinião e se transforme em convicção racional; para que nossas certezas não nasçam do entusiasmo passageiro, mas da compreensão consciente; e para que possamos afirmar-nos espíritas não apenas pelo nome que adotamos, mas pela fidelidade ao método, aos princípios e ao espírito da Doutrina codificada por Allan Kardec.
"Fora da caridade não há salvação"; mas, para que a caridade seja plenamente consciente, o Espiritismo nos recorda que ela deve caminhar lado a lado com o esclarecimento. Afinal, somente a verdade compreendida é capaz de libertar a inteligência e transformar verdadeiramente o coração.
