A Sala Que Não Existe Ninguém se... Prof. Cranon
A Sala Que Não Existe
Ninguém se lembra de quando o Professor Cálculo começou a lecionar na escola. Alguns dizem que ele já estava lá antes do prédio ser construído — e que foi ele quem escolheu o terreno.
Seus olhos eram cinzentos como giz velho, e ele nunca piscava enquanto escrevia na lousa, como se algo o observasse através dela.
Toda sexta-feira, às 23h13, os corredores da escola rangiam sozinhos, e uma porta surgia no fim do corredor — a Sala 13, que de dia simplesmente não estava lá.
Os alunos que entravam nessa sala nunca mais eram os mesmos. Voltavam pálidos, com os olhos vazios, murmurando números que não faziam sentido, como se algo tivesse arrancado pedaços de suas mentes.
Dizem que o professor não ensinava mais ninguém — ele colecionava. Cada aluno que falhava seu teste desaparecia da chamada, e no dia seguinte havia uma cadeira nova, empoeirada, como se estivesse ali há décadas.
Uma noite, uma aluna ficou até tarde e viu o que ninguém deveria ver: o Professor Cálculo, sem rosto, escrevendo o nome dela na lousa com as próprias unhas.
Ela correu, mas quando olhou para trás, a escola inteira havia sumido — e ela nunca mais encontrou o caminho de volta para casa.
