O Universo que Me Habita Há quem passe... Jorgeane Borges

O Universo que Me Habita

Há quem passe pela vida colecionando encontros. Eu prefiro colecionar profundidades.

Nunca soube amar pela metade, conversar pela metade ou sentir pela metade. Talvez por isso o mundo, tantas vezes, pareça apressado demais para quem aprendeu que as coisas mais importantes não nascem da velocidade, mas da permanência.

Carrego valores que o tempo insiste em chamar de antigos. Eu os chamo de eternos.

Ainda acredito na palavra que vale mais que uma assinatura. Na presença que não precisa disputar espaço com distrações. No respeito que permanece mesmo quando ninguém está olhando. Na delicadeza que nunca perdeu a força. Na obediência a Deus, não por medo, mas porque descobri que Sua vontade sempre enxerga mais longe do que os meus desejos.

Sou romântica, mas não apenas no amor entre duas pessoas. Sou romântica diante da vida.

Vejo beleza no café servido com calma, nas cartas escritas à mão, no silêncio compartilhado, nas orações que ninguém ouviu, nos gestos que jamais serão fotografados e, justamente por isso, pertencem ao que há de mais verdadeiro.

Aprendi que caráter é aquilo que continua existindo quando desaparecem os aplausos. Que integridade é permanecer a mesma pessoa, ainda que ninguém reconheça o esforço. E que existem princípios que não foram feitos para serem negociados, porque, quando os vendemos, perdemos partes de nós.

Às vezes sinto que faço parte do universo. Outras vezes, tenho a impressão de que um universo inteiro vive dentro de mim.

Um oceano silencioso, profundo e quase inexplorado.

Nele existem perguntas que ainda não encontrei coragem para fazer. Sonhos que Deus conhece antes mesmo de eu lhes dar um nome. Memórias, esperanças e uma fé que insiste em florescer até nas estações mais secas da alma.

Não tenho pressa de chegar à superfície.

Algumas riquezas só existem nas grandes profundidades.

E talvez seja esse o meu jeito de existir: mergulhando.

Porque quem vive apenas na superfície conhece as ondas.

Mas quem aprende a descer encontra o silêncio, a verdade e Deus.

E é lá, onde poucos se aventuram, que a minha alma se sente em casa.