TEORIA DOS SIGNIFICADOS (Versando e... Agilson Cerqueira
TEORIA DOS SIGNIFICADOS (Versando e Proseando)
VERSANDO
Com ótica,
Sem semiótica,
Visões sem linguagens mentais:
Analfabetos funcionais.
PROSEANDO
A visão inaugura o contato com o mundo, mas não o seu significado. Os olhos captam formas, cores e movimentos; entretanto, é a mente que lhes confere sentido. Entre o que se vê e o que se compreende existe um intervalo invisível, preenchido pelos signos, pela linguagem e pela experiência. Sem esse percurso, a realidade permanece apenas como fenômeno, jamais como conhecimento.
A ótica revela a existência das coisas; a semiótica revela aquilo que elas representam. Uma descreve a incidência da luz; a outra investiga a incidência do sentido. Quando a primeira existe sem a segunda, o mundo transforma-se em um inventário de imagens destituídas de significado. Vê-se tudo, compreende-se pouco.
Não é a ausência da visão que empobrece o pensamento, mas a incapacidade de atribuir significados ao que se apresenta diante de nós. A ignorância mais profunda não reside na falta de informações, mas na impossibilidade de interpretá-la. O analfabetismo funcional nasce precisamente nesse espaço: onde há percepção sem compreensão, leitura sem interpretação, informação sem consciência.
Toda civilização se alicerça menos sobre aquilo que enxerga do que sobre aquilo que é capaz de significar. O ser humano não habita apenas o universo das coisas, mas, sobretudo, o universo dos sentidos que cria para elas. Quando os significados desaparecem, a realidade permanece visível, porém intelectualmente inacessível.
Ver é um ato biológico. Compreender é um ato filosófico. Entre ambos se ergue a linguagem, não apenas como instrumento de comunicação, mas como a própria arquitetura do pensamento. É nela que o mundo deixa de ser apenas visto para tornar-se verdadeiramente conhecido.
