Como eu poderia culpar qualquer... Autor desconhecido

Como eu poderia culpar qualquer sentimento para justificar tantas escolhas erradas?

Durante quase toda a minha vida, caminhei por uma estrada que julgava moralmente correta. Bastou um momento de descuido para que eu me perdesse completamente.

Hoje não sou vítima de circunstância alguma. Sou o carrasco da minha própria alma. Sou responsável pela infelicidade da pessoa que jurei proteger. E, como se isso não bastasse, despertei o amor de alguém que jamais poderei amar da mesma forma.

Estou colocando em risco o maior chamado que já recebi na vida, como se estivesse desperdiçando a única oportunidade de realizar algo verdadeiramente importante nesta breve e insignificante passagem pela Terra.

Às vezes, gostaria de desaparecer por um tempo. Outras vezes, gostaria apenas de possuir a força necessária para me tornar alguém completamente diferente.

Porque já não gosto de quem me tornei.

Não gosto da minha própria companhia. Não gosto dos meus pensamentos. Não gosto da imagem que encontro quando me observo com honestidade.

Sinto nojo do mentiroso habitual que me transformei. Sinto repulsa por já não reconhecer uma identidade sólida dentro de mim. É como se tudo aquilo que eu acreditava ser tivesse se dissolvido, deixando apenas um vazio onde antes existiam convicções, amor e propósito.

Estas palavras não nascem da autopiedade. Não procuro absolvição nem conforto fácil.

Escrevo porque estou cansado.

Escrevo porque procuro uma saída que ainda não consigo enxergar.

Escrevo porque espero encontrar, em algum lugar entre estas linhas, a força necessária para continuar caminhando sem perder de vez aquilo que ainda resta de mim.

Escrevo porque não quero enlouquecer.