Não há Erro Relevante ou... Alessandro Teodoro

Não há
Erro Relevante ou Irrelevante
o bastante para Relativizar outro.
Erros são Erros!?!
Isso nos convida a abandonar um dos hábitos mais comuns da condição humana: justificar nossos próprios equívocos, apontando os erros alheios.
Com frequência, transformamos a comparação em um mecanismo de defesa.
Se o outro falhou mais, acreditamos que nossa falha pesa menos.
Mas a verdade é que a existência de um erro nunca anula a responsabilidade por outro.
A ética não se sustenta na balança da conveniência.
O fato de alguém agir pior não torna nossa conduta melhor.
Da mesma forma, um pequeno deslize não deixa de merecer reflexão apenas porque existem faltas mais graves.
Cada atitude deve ser analisada por seu próprio mérito ou demérito, e cada consciência responde, antes de tudo, por aquilo que escolhe fazer.
Relativizar erros é um caminho muito perigoso.
Aos poucos, deixamos de buscar a integridade para apenas disputar quem está “menos errado”.
Nesse processo, a Verdade perde espaço para a Conveniência, e a Responsabilidade cede lugar às Justificativas.
Uma sociedade madura não é aquela em que ninguém erra, mas aquela em que cada indivíduo reconhece seus próprios erros sem precisar recorrer aos erros dos outros para amenizar a própria culpa.
E, pasmem, estamos vivendo em tempos de muitas justificativas!
O reconhecimento sincero da falha não diminui a dignidade de ninguém; ao contrário, revela caráter, humildade e disposição para crescer.
No fim, a verdadeira medida da consciência não está na comparação entre culpados, mas na coragem de responder pelos próprios atos.
Porque nenhum erro encontra absolvição na existência de outro, e nenhuma injustiça deixa de ser injustiça apenas porque há uma maior ao lado.
