HUMANIZAR-ME Humanizar-me não é... Régis L. Meireles

HUMANIZAR-ME


Humanizar-me não é fácil.


É abrir mão das fantasias,
da cultura que me separa,
da arrogância que me eleva,
da humilhação que me diminui.


É voltar ao berço,
depender do colo dos meus pais,
entregar-me ao embalo,
descansar no acalanto.


É não considerar diferenças,
não fazer comparações,
não contar os dias,
não viver em busca de satisfação.


É chorar para beber,
chorar para comer,
esperar o tempo dos outros,
sem pressa de compreender.


Humanizar-me é viver.


É apenas respirar,
apenas chorar,
apenas comer,
apenas mamar.


É reconhecer que antes de ser alguém,
eu fui somente vida.