Só tropeçamos no infortúnio de achar... Alessandro Teodoro

Só tropeçamos no infortúnio de achar que não podemos fazer nada pelo outro até descobrirmos que podemos fazer o Melhor: orar!
Vivemos em um tempo que valora excessivamente a ação visível.
Quase sempre somos levados a acreditar que ajudar alguém significa, necessariamente, resolver todos os seus problemas, oferecer recursos, abrir portas ou encontrar respostas imediatas.
Quando não conseguimos fazer nada disso, somos tomados pela sensação de impotência, como se nossa presença e nossa preocupação não tivessem valor algum.
E é justamente nesse ponto que tropeçamos.
Não por falta de boa vontade, mas por acreditar que o auxílio humano é o limite de todas as possibilidades.
A oração nos convida a enxergar além dessa ilusão.
Ela não é uma fuga da realidade, nem um consolo para quem não pode agir.
Ao contrário, é um reconhecimento humilde de que existem situações que ultrapassam nossas forças, nossa compreensão e nosso alcance.
Quando oramos por alguém, colocamos diante de Deus aquilo que nossas mãos não conseguem tocar e aquilo que nossas palavras não conseguem curar.
Há circunstâncias em que uma ajuda material é necessária e até indispensável.
Mas há também batalhas travadas no silêncio da alma, medos e dores escondidas atrás de sorrisos e caminhos obscurecidos por dúvidas que nenhum conselho humano consegue iluminar plenamente.
Nesses momentos, a oração deixa de ser o último recurso e passa a ser o primeiro gesto de amor.
Orar é dizer ao outro, mesmo sem palavras: “Você não está sozinho.”
É transformar preocupação em intercessão, aflição em esperança e carinho em confiança.
É reconhecer que, enquanto nossos limites são evidentes, a ação divina não conhece fronteiras.
Talvez nosso maior engano seja pensar que orar é fazer pouco.
Quem compreende a profundidade da fé sabe que orar é participar de algo maior do que si mesmo.
É semear no invisível, acreditando que Deus trabalha onde nossos olhos não alcançam.
Por isso, quando a vida nos colocar diante de alguém cuja dor não podemos remover, cujo problema não podemos resolver ou cuja jornada não podemos percorrer em seu lugar, lembremo-nos: não estamos de mãos vazias.
A oração é e continua sendo uma das mais nobres expressões de amor, porque entrega ao cuidado de Deus aquilo que o coração humano, sozinho, não consegue sustentar.
Quando pensar que não pode fazer nada por alguém, faça o melhor que pode: ore!
