Ei, cê viu isso? Passou batido, tipo... Abraham Cezar
Ei, cê viu isso? Passou batido,
tipo neblina no vidro, sumindo em ruído.
Olhar reto, pose de forte,
mas esse silêncio grita mais que a sorte.
É sempre assim com quem tem alma fraca,
dão ghost, somem, perdem a placa.
Acham que o vácuo os faz crescer,
mas tão pisando onde a areia vai ceder.
Mas qual é a fita? Por que fingir?
O riso torto, o olhar fugir?
Me vê e finge que eu não existo,
como se meu nome apagasse na lista.
É que a verdade mexe, faz tremer,
mostra as máscaras que cês querem esconder.
Preferem o fake, correm do brilho,
do que encarar que perderam o trilho.
Então que fiquem na bolha inflada,
se afoguem na maré da própria cilada.
Eu? Sou trovão, sou brasa, sou rua,
e eles? Só eco — com medo da chuva.
