SOBRE SONHOS QUE TIVE NESSA SEMANA... 17... Alinny de Mello

SOBRE SONHOS QUE TIVE NESSA SEMANA...


17 DE JUNHO DE 2026


Sonhar com malas, mudanças e a escolha do próprio vestuário é um prato cheio para a psicologia e para a análise do comportamento humano. Quando eu olho para esses símbolos sem o misticismo barato das previsões do futuro, o que sobra é um espelho bem nítido da minha própria dinâmica interna, da minha identidade e das transições pelas quais eu passo.
O avião, para começo de conversa, é o deslocamento definitivo. Diferente de um carro, onde eu posso parar no acostamento a qualquer momento, o avião representa um movimento de ruptura: eu saio de um ponto A e, queira ou não, vou parar no ponto B. É o início de uma transição, uma jornada compartilhada que exige deixar o chão firme para trás.
Logo em seguida, o cenário muda para a casa da família dele. Psicologicamente, a casa da família do parceiro costuma representar o território do outro, as regras do outro, o espaço onde, por mais acolhida que eu seja, eu ainda sou a visita. Estar ali sozinha antes de ele chegar evoca uma sensação de autonomia em meio ao cenário do outro, mas o ponto central aqui são as roupas encaixotadas.
A roupa é a nossa segunda pele. É como nos apresentamos ao mundo, a nossa persona, a armadura que escolhemos para interagir com a sociedade. Quando eu peço para ele encaixotar as minhas roupas para voltar para casa, há um movimento claro de recolhimento de mim mesma. Guardar a minha própria identidade em caixas para retornar ao território comum de nós dois mostra o desejo de encerrar um ciclo externo e preservar o que é meu, organizando a minha essência para o retorno ao ambiente seguro.
E então chegamos ao tambor. O tambor, que lembra tanto uma máquina de lavar quanto um grande organizador, é um espaço de triagem, um turbilhão onde as coisas giram, misturam-se e são limpas. Ver-me diante desse tambor, escolhendo ativamente o que vou vestir, é o ápice da autonomia nesse enredo noturno.
Depois de voar, de transitar pelo espaço do outro e de encaixotar o que me pertence, eu não estou mais apenas guardando a minha identidade; eu estou selecionando-a. Escolher a minha própria roupa dentro de um turbilhão é o símbolo exato do livre-arbítrio sobre quem eu decido ser a partir de agora. Quais camadas servem? Quais padrões antigos eu vou deixar rodando no tambor e quais vou de fato vestir para me apresentar ao mundo?
Não há mistério cósmico aqui, mas sim uma belíssima crônica visual do meu próprio inconsciente sobre transição, preservação da individualidade e, acima de tudo, o poder de escolha sobre a minha própria narrativa.


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