Soneto da Doce Renda ​Quero a beleza,... Antenor Quintino

Soneto da Doce Renda

​Quero a beleza, que me dá tristeza
Essa que passa e que não faz demora
Que tem o dom de me deixar na mesa
A sós com o vinho, vendo o frio lá fora.

​Quero a mulher que seja como o fado
Mistura de agonia e de ternura
Que me devolva o coração quebrado
E me perdoe por tamanha cura.

​Pois só no traço desse amor bendito
É que o poeta encontra o seu grito
E justifica a dor de estar vivendo.

​Vem, minha amiga, derramar teu pranto
Que eu faço dele o meu melhor canto
Enquanto a vida vai se consumindo.