Solidão A palavra que aflige os poetas,... Raphael Bragagnolle

Solidão

A palavra que aflige os poetas,
e todos aqueles que um dia dirão
que conheceram de perto a dor
implacável da solidão.

Cada solidão tem sua história,
cada qual sua responsabilidade.
Confesso que a minha foi cruel,
pois carrego a própria verdade.

Preciso assumir meus erros,
ou assumirei ser covarde.
Não me pintem como santo,
nunca vivi essa realidade.

Fiz mal a quem mais amei,
feri mãos que só me acolhiam.
E as águas do arrependimento,
por vezes, em mim não corriam.

Arrependido, sim.
Perdoado, talvez.
Mas a solidão que me acompanha,
essa amiga antiga, não se desfez.

Amei e fui amado,
mas por uma doença fui enganado.
Responsabilidade minha, é claro,
ainda que por ela eu tenha sido arrastado.

Quem dera voltar no tempo,
desfazer cada pecado cometido.
Trocar noites perdidas nas drogas
por cada instante contigo vivido.

Hoje estaria ao seu lado,
prestes a celebrar o Dia dos Namorados.
Levaria você à quermesse
que tantas vezes havia me pedido em recados.

Mas eu estava cego demais,
desatento, distante, desavisado.
Enquanto o amor me chamava baixinho,
eu seguia pelas drogas dominado.

Hoje outro homem segura sua mão,
e sinceramente espero que cuide bem de você.
Que a leve para onde seus sonhos apontam,
e faça seu sorriso florescer.

Pois vale para mim mil solidões,
mil noites vazias e sem abrigo,
se em alguma parte deste mundo
você estiver feliz, mesmo sem estar comigo.

Raphael Bragagnolle