FORJA DA HUMANIDADE Quantos Gênesis... Jose Vidal de Negreiros Neto...
FORJA DA HUMANIDADE
Quantos Gênesis serão precisos para ensinar ao homem o valor da própria criação?
Quantas auroras deverão nascer sobre mares recém-formados, quantas sementes romperão a terra, quantas vidas serão sopradas pelo fôlego da esperança?
Um Gênesis não bastou.
Erguemos cidades, mas também muralhas. Criamos ferramentas, mas também correntes. Descobrimos estrelas, mas ainda tropeçamos na sombra dos próprios passos.
Vieram dilúvios, vieram desertos, vieram profetas, vieram cruzes, vieram lições escritas em pedra, sangue e memória.
Ainda assim, o homem insiste em reinventar o erro com a mesma criatividade com que reinventa o progresso.
Quantos Gênesis serão precisos?
Talvez um para cada guerra. Talvez um para cada preconceito. Talvez um para cada criança que nasce acreditando num mundo melhor e encontra um mundo inacabado.
Mas a criação não desistiu.
A cada nascimento, um novo capítulo é escrito. A cada gesto de bondade, uma luz acende nas primeiras páginas do amanhã.
Porque a verdadeira forja não acontece no fogo das estrelas, nem no coração dos vulcões.
Acontece dentro do homem.
É ali que o ferro da ignorância enfrenta o martelo da experiência. É ali que a consciência é aquecida pela verdade até transformar-se em sabedoria.
Talvez não sejam necessários novos Gênesis.
Talvez seja necessário que a humanidade finalmente leia o primeiro.
E compreenda que a criação ainda não terminou.
Ela continua sendo escrita em cada escolha, em cada encontro, em cada geração.
Pois a maior obra do universo não foi a criação do mundo.
É a lenta e interminável Forja da Humanidade.
