⁠De abandono em abandono, se normaliza... Alessandro Teodoro

⁠De abandono em abandono, se normaliza a frieza do Abandonar. Há feridas que não nascem de uma despedida, mas da repetição de ausências que, pouco a pouco, ensi... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠De
abandono em abandono,
se normaliza a frieza do Abandonar.


Há feridas que não nascem de uma despedida, mas da repetição de ausências que, pouco a pouco, ensinam alguém a não esperar mais por ninguém.


É assim que o abandono deixa de ser apenas uma experiência dolorosa e passa a ser tratado como algo natural, quase inevitável.


Quem abandona se acostuma a partir, enquanto quem é abandonado, muitas vezes, se acostuma a não pedir que fiquem.


O mais triste é perceber que a repetição da indiferença pode transformar sentimentos em mecanismos de defesa.


Aos poucos, as pessoas deixam de perguntar, de procurar, de insistir e até de demonstrar que sentiram falta.


Não porque deixaram de sentir, mas porque se cansaram de oferecer presença a quem sempre respondeu com ausência.


E existe uma crueldade silenciosa em banalizar o abandono: é fazer parecer exagero a dor de quem apenas desejava consideração.


É esquecer que ninguém deveria precisar implorar por atenção, disputar espaço na vida de alguém ou justificar a importância de sua própria presença.


Mas é preciso compreender que se acostumar a ser abandonado não significa deixar de merecer companhia.


Tampouco aprender a partir sem olhar para trás significa ter desenvolvido maturidade emocional.


Às vezes, a frieza não é força; é apenas uma dor antiga que aprendeu a não se revelar.


Que jamais percamos a sensibilidade a ponto de considerar normal aquilo que machuca.


Porque partir pode ser uma escolha, afastar-se pode ser necessário, mas abandonar alguém sem respeito, sem cuidado e sem humanidade nunca deveria ser motivo de orgulho.


Afinal, quando o abandono se torna hábito, a indiferença ganha aparência de normalidade, e os corações, cansados de esperar, começam a confundir solidão com independência.


E talvez uma das maiores tragédias das relações humanas seja justamente esta: tanta gente aprendendo a conviver com a ausência, quando tudo o que precisava era encontrar alguém que soubesse permanecer.