Tentar normalizar Discurso de Ódio,... Alessandro Teodoro

Tentar normalizar Discurso de Ódio, a pretexto da Liberdade de Expressão, é um Atentado Terrorista à comunicação.
A Liberdade de Expressão é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática.
Entretanto, nenhum direito pode ser utilizado como salvo-conduto para destruir os próprios princípios que o sustentam.
É preciso compreender que Liberdade de Expressão não significa liberdade para desumanizar, intimidar, perseguir, humilhar ou incitar a violência contra quem pensa diferente.
Quando o Discurso de Ódio é apresentado como simples manifestação de opinião, estamos diante de uma perigosa distorção de valores: transforma-se a Liberdade em instrumento de opressão e o direito de falar em autorização para ferir.
A comunicação deveria aproximar pessoas, estimular o Pensamento Crítico, promover o diálogo e possibilitar a convivência entre diferenças.
Quando passa a ser utilizada deliberadamente para disseminar intolerância, fabricar inimigos, alimentar preconceitos e legitimar agressões, deixa de cumprir sua função social e se converte em mecanismo de violência.
Normalizar o ódio é também intimidar o silêncio.
É fazer com que pessoas tenham medo de manifestar suas ideias, defender suas identidades ou simplesmente ocupar os espaços que lhes pertencem por direito.
É comprometer o ambiente democrático, porque uma sociedade na qual alguns podem falar livremente enquanto outros são constrangidos, ameaçados ou desumanizados não é verdadeiramente livre.
Não se trata de defender censura, tampouco de impedir críticas, divergências ou posicionamentos contundentes.
Trata-se de reconhecer que existe uma diferença fundamental entre discordar de alguém e negar a alguém sua dignidade humana.
A crítica confronta ideias; o Discurso de Ódio ataca pessoas e grupos em sua própria condição de existência.
A Liberdade de Expressão exige responsabilidade, consciência e compromisso com a dignidade humana.
Não pode ser invocada seletivamente por aqueles que desejam garantir o direito de atacar, mas não admitem que suas manifestações sejam questionadas.
Afinal, o direito à palavra não elimina o dever de responder pelos efeitos e pelas consequências daquilo que se fala.
Uma democracia madura não teme o contraditório.
Teme, isto sim, a transformação da intolerância em regra, da agressividade em linguagem cotidiana e da violência em opinião socialmente aceitável.
O Ódio não se torna legítimo porque é pronunciado em nome da Liberdade.
A violência não se transforma em argumento porque encontra espaço em um microfone, em uma tribuna ou nas redes sociais.
Defender a Liberdade de Expressão é, acima de tudo, defender as condições para que todos possam se expressar com dignidade, segurança e respeito.
Porque, quando o Ódio tenta se disfarçar de Liberdade, não estamos diante de uma ampliação da democracia, mas de uma tentativa de corroer seus fundamentos.
A Liberdade de Expressão deve ser instrumento de emancipação, jamais uma licença para a desumanização.
E combater a normalização do Discurso de Ódio é defender não apenas a comunicação, mas a própria possibilidade de uma sociedade verdadeiramente democrática.
