Demorei tanto para perceber que só... Alessandro Teodoro

Demorei tanto para perceber que só eu insistia, que já nem pude adiar a decisão de desistir.
Há uma espécie de tristeza que não nasce da ausência, mas da insistência em permanecer onde a reciprocidade nunca chegou.
É quando começamos a compreender, ainda que a contragosto, que algumas histórias só continuam existindo porque alguém, sozinho, se encarrega de mantê-las vivas.
Alguém que procura, espera, compreende, perdoa, inventa justificativas e, mesmo diante dos sinais mais evidentes, encontra motivos para tentar mais uma vez.
Por muito tempo, confundi persistência com afeto, paciência com esperança e silêncio com a possibilidade de que alguma coisa ainda pudesse mudar.
Talvez porque desistir parecesse admitir uma derrota, quando, na verdade, continuar insistindo já era uma maneira silenciosa de perder a mim mesmo.
O mais doloroso, entretanto, não é descobrir que o outro deixou de fazer questão.
É perceber quanto tempo levamos para aceitar aquilo que, no fundo, já sabíamos.
Porque há despedidas que começam muito antes da partida: começam nas mensagens que não chegam mais, nas iniciativas que nunca acontecem, nos gestos que precisam ser implorados e nas ausências que, de tanto se repetirem, deixam de surpreender.
Até que um dia o cansaço se sobrepõe à expectativa.
Não porque o sentimento tenha necessariamente desaparecido, mas porque a dignidade também precisa encontrar seu lugar naquilo que sentimos.
E chega uma hora em que insistir deixa de ser demonstração de amor, de carinho para se transformar em abandono de si.
Então, desistir já não é uma escolha impulsiva, tampouco um gesto de orgulho.
É apenas a conclusão inevitável de quem tentou todas as maneiras possíveis de permanecer, inclusive aquelas em que precisou diminuir as próprias necessidades para caber na indiferença alheia.
Não há necessariamente raiva, ressentimento ou desejo de revanche.
Às vezes, resta apenas uma lucidez melancólica: entender que não se pode construir uma ponte quando somente um lado continua atravessando o rio.
E talvez a maturidade afetiva seja justamente isso: compreender que nem toda relação merece uma última tentativa, que nem toda ausência precisa de explicação e que nem toda história precisa terminar em conflito.
Algumas precisam apenas terminar.
Porque desistir, em determinadas circunstâncias, não significa deixar de se importar.
Significa finalmente entender que também merecemos encontrar, do outro lado, alguém que faça questão de ficar.
Afinal, há um momento em que a gente não desiste porque deixou de querer.
Desiste porque se cansou de querer sozinho.
