A EXPERIÊNCIA DE VIVER De que me vale a... P. H. Amancio.

A EXPERIÊNCIA DE VIVER


De que me vale a experiência quando já não me resta tempo para vivê-la?
Seria verdadeiramente sábio consumir os últimos dias de minha existência tentando aproveitá-los ao máximo, apenas para que, depois da minha partida, alguém possa afirmar: "Ele viveu"?


Não! Quando a morte vier ao meu encontro, quero oferecer-lhe resistência. Quero dar trabalho para que me leve!


Não desejo transformar a existência numa preparação constante para o seu próprio fim. Quero experimentar enquanto há tempo, entregar-me aos prazeres, conhecer os excessos e, se assim desejar, cometer amanhã os mesmos erros de ontem, não por desconhecimento, mas pelo simples reconhecimento de que certas experiências não precisam ser justificadas pela sabedoria que delas extraímos.


Afinal, de que serve amadurecer tanto a ponto de perder o apetite pela vida? De que vale aprender a evitar todas as quedas se, nesse exercício de prudência, deixamos de caminhar?


Não quero chegar ao fim tendo sido exemplar na arte de sobreviver. Quero ter sido imperfeito na arte de existir.


Pois, se a morte é inevitável, que ao menos não encontre em mim alguém que já tenha desistido de viver antes mesmo de morrer.