E então, ela se virou e sussurrou: -... Miriam Da Costa
E então, ela se virou e sussurrou:
- Foi a partir daquele momento que a vida começou a morrer; ali nasceu o rumor, o barulho que tudo mata.
Silêncio!
Eu peço silêncio, nada mais!
E com os olhos acesos de presságio, continuou a sussurrar com a voz doce e rouca:
- Ali, naquele instante em que a vida começou a desvanecer, o rumor cresceu, e com ele, o barulho que devora a alma.
Silêncio!
Eu imploro por silêncio!
Antes que até o silêncio morra também.
Eu sou Simplesmente, Bruxa, a que pressente
o fim e o início e os transforma em feitiço.
Ela se virou devagar e, num sopro de despedida, completou:
- Foi a partir daquele momento que a vida começou a morrer em mim, um rumor discreto, um barulho que foi apagando o encanto das coisas.
Silêncio!
Eu só peço silêncio.
Porque às vezes, o silêncio é o último feitiço
de quem amou demais.
Assim fui, assim sou e assim serei, nos milênios dos milênios, no tempo dos tempos.
Sempre e eternamente.
Simplesmente, Bruxa, a bruxa que ama o silêncio.
👉 Parte do conto "Simplesmente bruxa"
✍@MiriamDaCosta
