O ARTEFATO PROIBIDO Pedroca tinha nove... Ivane milhomem
O ARTEFATO PROIBIDO
Pedroca tinha nove anos e adorava “bater perna” com o avô, principalmente sair para comprar lanches para o café da manhã. Em uma das visitas, seu Enoque estava viajando. Quando Pedroca acordou, abraçou Izabel e, todo dengoso, falou:
— Vó, vamos ao supermercado?
Ela disse-lhe:
— Você sabe que não dirijo, mas vou preparar os melhores lanches para você.
— Não quero — ele respondeu secamente.
É só desta vez; logo seu avô volta e vocês continuam a rotina de ir ao supermercado comprar o que você quiser — disse com suavidade.
— Onde está a chave do carro? Eu posso dirigir!
A avó gelou dos pés à cabeça e, imediatamente, tratou logo de esconder o objeto proibido. O final de semana findou, o garoto retornou para sua casa. Na segunda-feira, ela estava no trabalho quando o pai de Pedroca enviou mensagem dizendo que precisaria do carro para ir ao trabalho. Na hora, Izabel tentou se lembrar onde havia escondido a chave. Exigiu tanto do cérebro que seu rosto avermelhou e sentiu pontadas na cabeça. Diante da frustração, disse ao filho para desbravar a casa. Alguns minutos depois, ele avisou que não havia encontrado. Ela se desesperou. Pediu a um colega para levá-la em casa. Entrou esbaforida, enquanto o homem aguardava na varanda, sentado numa cadeira de balanço.
Izabel vasculhou os lugares possíveis e inimagináveis e nada de encontrar o esconderijo. Sentiu-se exausta. De repente, ele a chamou e perguntou:
— Cadê o carro?
Ela correu, olhou a garagem vazia e levou as mãos à cabeça:
— Então a chave foi encontrada — disse com resignação.
Ao falar com o filho, descobriu que todos esses dias a chave esteve ali, zombeteira, em meio à maciez dos lençóis, dentro do guarda-roupas.
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