Coleção pessoal de ivanemilhomem_1125076
O ato de escrever deixa-me vulnerável. Sou invadida pela sensação de que a inteireza se partiu em pedaços, onde partes de quem sou se tornam visíveis. Cada poesia, crônica, conto e prosa poética que escrevo, sangro no papel e pedaços de mim se espalham por aí, ganham vida própria e multiplicam minha existência no mundo.
Cacos de Nós
A taça de cristal escorregou por entre os dedos e espatifou-se. Não havia gritos, somente o silêncio trincado no chão frio. Recolhi cada fragmento e os remendei. O líquido escorreu pelas fissuras. A gente se acostuma a acreditar que as rachaduras são portas de entrada apenas para a luz, mas lembre-se de que das fendas também vazam amor. O afeto precisa de materiais resistentes à queda. Na mesma tarde, comprei copos inquebráveis.
Nudez
Escrever deixa-me
Sem máscaras
Sem retoques
Os mantos caem
A vulnerabilidade aflora
sem pudor
A poesia me desnuda
Intensidade
Na poesia
Meu silêncio grita
Minha voz emudece
Emoções explodem
Sentimentos se
desnudam
Me afago, respiro
Deleito-me
Renasço
Quando eu Partir
Deixarei
As gavetas desarrumadas
Coisas fora do lugar
Roupas e calçados sem uso
Contas a pagar
Leituras e escritas inacabadas
As palavras de conforto
As conversas gostosas
Os abraços que aliviaram a dor
E muito amor ...
Levarei
Segredos não revelados
As palavras não ditas
Os abraços e beijos não dados
Os elogios não entregues
Os sonhos não realizados
Os almoços e encontros adiados
As histórias não partilhadas
E os amores não vividos ...
