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Existe em mim uma fé que se faz luz e ilumina até os caminhos que não consigo compreender.


Uma fé que não se explica, não se traduz em palavras… simplesmente se sente. É única, profunda e verdadeira!


É companhia nos dias silenciosos, é permissão para florescer, é bênção que acolhe. É leveza na alma, paz no coração e presença que nunca me abandona.


É daquelas coisas bonitas que não precisam de explicação, apenas de espaço para existir.


E em mim, essa fé é sempre bem-vinda!

A poesia, por vezes, é um doce lamento da alma, uma suave melodia que ecoa ao som de harpas angelicais. 
É um misterioso encanto, que floresce no silêncio dos sentimentos e se desprende da imaginação do poeta... 
Transformando emoções em versos e sonhos em eternidade.


Joana Rodrigues

Tem gente que não perde oportunidade por ingratidão.
Perde por medo.

A vida passa na frente com a bandeja cheia,
e ela olha e pensa: "agora não. Ainda não estou pronta. Vai ter outra bandeja depois."

Ela espera ficar mais segura, mais magra, mais curada, mais corajosa. Espera os filhos crescerem, o dinheiro sobrar, o barulho da casa silenciar.

Enquanto espera ficar pronta para viver, vai vivendo pela metade.

Não é que ela não veja a porta aberta. Ela vê. Só que fica ali no batente, calculando se o chão do outro lado aguenta o peso dela. Se vão rir dela. Se ela vai saber o que fazer quando entrar.

E aí a porta fecha. Não com estrondo. Fecha devagar, quase com delicadeza. Como quem entende que não era a hora dela.

Depois, fica aquela história que ela conta para si mesma:
"Não era para ser."
"Deus me livrou."
"Melhor assim."

Mas no fundo, no silêncio da noite, ela sabe. Era para ser sim. Só que ela não foi.

O mais triste não é perder o trem. É acostumar a ficar na estação, e começar a achar bonito ficar. Começar a chamar de prudência o que é medo, e de destino o que foi apenas adiamento.

Quem não aproveita as oportunidades não é fraco. É alguém que ainda não aprendeu que oportunidade não pede licença, não espera a gente se arrumar. Ela passa como gente apressada na rua.

A vida não dá segundas chances iguais. Ela dá outras chances, diferentes. E um dia, se a gente tiver sorte, aprende a não perguntar tanto, e a simplesmente ir.

O TAPA

Tem gente que reza pedindo porta aberta, e quando Deus abre, pede para fechar porque está com vento demais.

Não é azar. É vício em ficar onde dói menos.

A vida oferece. Ela analisa, pesa, duvida, pede opinião para quem nunca foi a lugar nenhum. Quando decide ir, já foi. O ônibus passou.

E depois chama de destino o que foi só preguiça de levantar e ir.

Oportunidade não espera terapia, não espera coragem perfeita. Ou você vai com medo mesmo, ou assiste os outros vivendo a vida que você pediu.

Há os que colecionam convites não aceitos.

Guardam no bolso bilhetes para viagens que nunca fizeram, amores que não tocaram, vidas que não estrearam.

Não por falta de vontade. Por excesso de cuidado consigo.

Acham que precisam florescer antes de sair ao sol. Não entenderam que é o sol que faz florescer.

E assim ficam, à janela. Vendo a vida acontecer na rua, tão linda, tão alheia.