A INGERÊNCIA SUL-AFRICANA NOS PROCESSOS... Miguel Chiyo Tomás
A INGERÊNCIA SUL-AFRICANA NOS PROCESSOS POLÍTICOS DA REGIÃO — SUAS CONSEQUÊNCIAS
Aula n⁰ 2
A partir dos finais dos anos 70 do século XX, assiste-se com grande intensidade à invasão dos territórios de Angola, da Zâmbia e de Moçambique por parte das forças de elite sul-africanas.
As ofensivas sul-africanas aos territórios vizinhos tinham por objetivo conter as ofensivas das forças nacionalistas do Sudoeste Africano (Namíbia) e da África do Sul, nomeadamente a SWAPO (braço armado da Namíbia) e o ANC (braço armado da África do Sul), apoiados por Angola e pela maioria dos países da África Austral pertencentes à organização da Linha da Frente.
A África do Sul desenvolveu inúmeras ações de desestabilização contra os países da região, com a cumplicidade e o apoio de países ocidentais, com particular destaque para os EUA.
O regime do apartheid criou unidades militares especificamente para desestabilizar países vizinhos, como foram os casos do Batalhão Búfalo, também conhecido como 32.º Batalhão, os Comandos de Reconhecimento, o Destacamento Especial Sul-Africano, o 44.º Batalhão de Paraquedistas e os Koevoet (tropas de origem namibiana, dóceis ao regime do apartheid).
Na década de 80, as tropas sul-africanas ocuparam um vasto território nas províncias do Cunene e do Cuando Cubango, com o objetivo de manter os países da região, particularmente Angola, sob contínua pressão militar, no sentido de levar o então governo da República Popular de Angola a ceder, permitindo a retirada das tropas cubanas que, lado a lado com as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), combatiam as forças sul-africanas.
Miguel Chiyo Tomás
