CINZAS DO TEMPO Espere quando o mundo... Ysrael SolerIsrael Soler

CINZAS DO TEMPO


Espere quando o mundo for silêncio,
Quando o próprio tempo se esquecer.
Não há destino que vença o tino
De quem escolhe a voz para viver.
Dizem que a traça consome as vestimentas,
Que a ferrugem corrói o altar do chão.
Mas há um fogo que zomba das tormentas
E tece o fio de outra dimensão.
Se a noite se estender por mil invernos,
Se o espelho só mostrar o que partiu,
Guarda o segredo nos porões internos:
A minha ausência foi o que nos uniu.
Não chores pelos que já deram as contas,
Nem creias no decreto do fim do mar.
Há uma rota que as leis não sobrepõem
No pacto secreto de quem sabe esperar.
Quando eu cruzar de volta a fronteira,
Sem nome, sem bagagem, sem clarão,
Saberás que a nossa espera inteira
Era a única âncora solta ao chão.