Bebelle, a menina que se imaginava... Northon Salomão de Oliveira

Bebelle, a menina que se imaginava rainha. nasceu plebeia e plebeia morreu, o poder é passageiro. A vida é perda e solidão. Bebelle, a Rainha sem Reino Bebelle ... Frase de Northon Salomão de Oliveira.

Bebelle, a menina que se imaginava rainha. nasceu plebeia e plebeia morreu, o poder é passageiro. A vida é perda e solidão.

Bebelle, a Rainha sem Reino

Bebelle nasceu plebeia, sonhou-se rainha e, quando o tempo recolheu os últimos vestígios de sua majestade, voltou à condição de quem jamais possuiu uma coroa que pudesse resistir à eternidade. Descobriu, talvez tarde demais, que o poder é um hóspede passageiro, que a bajulação se ajoelha diante dos títulos, mas raramente permanece quando os palácios se esvaziam.

A vida, em sua silenciosa ironia, despiu-lhe as vestes da grandeza, dispersou-lhe a corte e apagou, um a um, os nomes daqueles que antes lhe juravam devoção. Restaram-lhe as paredes mudas da memória, os ecos de um reino desaparecido e a solidão, essa soberana implacável que não distingue coroas, fortunas ou sobrenomes.

Porque todos, cedo ou tarde, somos despojados daquilo que julgávamos ser. O tempo não reconhece majestades, a doença não reverencia títulos e a morte não se curva diante de tronos.

Bebelle nasceu plebeia e plebeia morreu. Entre esses dois instantes, viveu a ilusão de ser rainha. E talvez sua maior tragédia não tenha sido perder a coroa, mas descobrir que, quando ela caiu, quase ninguém permaneceu para abraçá-la.

No fim, o palácio desaparece, a corte se dispersa e o mundo continua indiferente. Fica apenas a mulher, despida de seus personagens, diante da verdade mais antiga da existência: a vida é uma sucessão de perdas, e a solidão, muitas vezes, é a última companhia daqueles que passaram a existência inteira cercados de gente.