O tempo, esse velho silencioso que... Northon Salomão de Oliveira
O tempo, esse velho silencioso que caminha descalço sobre os escombros da existência, recolhe os nomes, dissolve as certezas e cobre de pó até mesmo aquilo que um dia pareceu eterno. Não distingue reis de mendigos, gênios de esquecidos, nem pergunta aos sonhos se estavam preparados para morrer. Tudo lhe pertence por um instante, e nada permanece exatamente como foi. Contudo, em algum lugar entre a memória e o abismo, certas palavras continuam acesas, como pequenas estrelas que se recusam a aceitar a noite. Talvez seja essa a única forma de eternidade concedida aos mortais: não sobreviver ao tempo, mas deixar na alma do mundo alguma coisa que nem mesmo o silêncio consiga apagar.
