Alexandre, o pequeno príncipe. Viveu... Northon Salomão de Oliveira

Alexandre, o pequeno príncipe. Viveu tão pouco, e talvez tenha sofrido mais do que o tempo que lhe foi concedido poderia justificar. Partiu antes de conhecer a vastidão do mundo, antes que a vida lhe revelasse suas infinitas contradições, suas descobertas inesperadas, seus prazeres efêmeros e suas dores inevitáveis. Não conheceu tantas pessoas, tantas tecnologias, tantas possibilidades que ainda estavam por nascer diante de seus olhos. O futuro permaneceu para ele como uma biblioteca cujos livros jamais seriam abertos, um universo de experiências suspensas na eternidade daquilo que não aconteceu.


Havia tanto por descobrir, tanto por experimentar, tanto por compreender. A humanidade continuaria reinventando seus brinquedos, seus desejos, suas máquinas e suas ilusões. O mundo mudaria de pele inúmeras vezes, enquanto Alexandre permaneceria para sempre na imobilidade de sua breve existência, alheio às revoluções que transformariam o cotidiano e aos pequenos milagres que aprenderíamos, pouco a pouco, a considerar banais.


Talvez tenha sido melhor assim. Há sofrimentos que a brevidade interrompe, tormentos dos quais a eternidade dos dias não nos oferece garantia de libertação. Talvez a vida, em sua inexplicável indiferença, lhe tenha poupado de algumas das crueldades que ainda estavam por vir. Ou talvez essa seja apenas a maneira imperfeita com que os vivos tentam reconciliar a razão com a injustiça de uma partida prematura.


Porque existe uma crueldade particular em morrer cedo: não apenas a de perder a vida, mas a de perder todas as vidas que poderíamos ter vivido dentro dela.


Alexandre, o pequeno príncipe, não chegou a conhecer o mundo inteiro. Mas o mundo também jamais saberá quem ele poderia ter sido. E talvez seja essa a tragédia mais silenciosa de todas: não sabermos apenas o que perdemos, mas tudo aquilo que nunca terá a oportunidade de existir.


Talvez, tenha sido melhor para o mundo.